1 ano de Canadá !!!

Caros colegas de viagem, hoje faz um ano que deixamos o Brasil e viemos para o Canadá. Muita coisa aconteceu nesse período, felizes e tristes.

Nossa adaptação tem sido muito boa. As crianças são as que estão se saindo melhor, já falam um bom frances e já possuem vários amigos.

Nossa rotina do dia a dia também já está bem definida. O trabalho é as vezes tranquilo, as vezes duro, mas nada que assuste alguém que já trabalhou firme no Brasil 🙂 .

O governo tem feito sua parte, oferece cursos, auxílios para as crianças, garderie e em termos gerais uma boa qualidade de vida.

Muito do que vemos nas palestras não é verdade. Apesar da abundancia de vagas de trabalho, a maioria delas é inatingível para os recém chegados. Mas nada que assuste pois tendo em mente que sabemos que neste projeto de imigração um dos pontos é recomeçar, sabemos que isso é só uma etapa.

A cidade de Montréal é ótima, amamos muito. Desde a arquitetura e do povo bilingue, trilingue e afins, as coisas funcionam bem. Apesar de aparentar algumas mazelas sociais e de muitos encargos (para todo o Québec), podemos ver os sinais do que é realmente justiça social. Claro que não é perfeito, mas sabemos que isso não existe !

Os colegas de imigração já aparecem muito. Fizemos amizades, na maior parte com brasileiros, mas também temos amigos de outras nacionalidades, inclusive “locais”.

Nosso projeto caminha como planejado, as vezes com altos e baixos, mas sempre com certeza que fizemos uma boa escolha e que essa é uma experiencia única na vida e que as crianças se beneficiarão muito no futuro.

Claro que a parte triste é a distancia da família. Depois da última visita que recebemos isso se acentuou um pouco pois as crianças crescem rápido e notamos que não teremos todos juntos para sempre e que cada momento que passamos é algo que não pode ser simplesmente compartilhado por fotos ou facebook. Mas o saldo final é positivo pois com Skype e todas as outras tecnologias mantemos contato constante, o que diminui essa ausencia parcialmente.

O inverno não foi tão assustador como esperávamos, tinhamos em mente algo muito pior. O finalzinho foi duro e o sol realmente faz falta. Mas entramos agora em uma época na qual a cidade parece borbulhar e isso empolga qualquer um. Agora entendemos o valor de tomar um solzinho no parquinho todos os dias e aproveitamos os eventos e o calor.

Ceder um passo atrás para ganhar dois para frente nunca foi tão verdadeiro. Para os que tem em mente o projeto de imigrar, mantenham isso em mente. Funciona e aqui dá certo.

Fico feliz em ler as notícias dos projetos de imigração que estão caminhando. Parece que as coisas vão mudar e ficará mais difícil imigrar, na questão de obter os documentos. Por outro lado, fico cada dia mais estarrecido com as notícias que leio do Brasil e como a coisa parece piorar um pouquinho a cada dia, em termos de violencia, corrupção e falta de amor ao próximo.

Andei esquecido do blog, mas não foi por um motivo ruim. Nossa vida vai caminhando e apesar de termos diminuido o ritmo, ainda somos acelerados. Falta mais tranquilidade para ficarmos mais parecidos com todos por aqui 😀 …

Para todos que nos acompanham, saibam que vale a pena e que apesar dos sacrifícios feitos, a oportunidade é única e eu recomendo a todos que se dediquem e não tenham medo (como se fosse possível, não é ?).

Obrigado a todos. Vou tentar não ficar tanto tempo longe do blog, é um companheiro de viagem e meu pequeno diário (kkk).

Festa da Tulipas

Festa da Tulipas – Ottawa mai/2015

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HSBC BR – “Recadastramento” para usar o Global View

Bem, como todos os brasileiros passam por isso, chegou a nossa vez. Tentei fazer uma transferencia hoje e o Global View está bloqueado com a tal mensagem solicitando entrar com o gerente de relacionamento para recadastramento.

Eu só tenho conta nessa banco para receber o aluguel do Brasil e se não fosse por isso já teria fechado a conta no Brasil e no Canada. Outros bancos aqui tem serviço muito melhor, tarifas menores e pacotes para novos imigrantes bem completos.

Bom, enviei um email ao gerente e agora vou esperar para ver como fica a situação.

Logo, cenas do próximo capítulo …. Como diz a lapin no blog dela (acho que foi lá que li), HSBC, um mal necessário. Espero que não por muito tempo …

7 meses de Canada e a primeira visita do Brasil !

Completamos 7 meses e alguns dias. O tempo aqui parece estar passando incrivelmente rápido. Talvez seja a percepção dos dias curtos com o sol se pondo 16:20 ou talvez seja por estarmos bem ocupados dia a dia.

No natal e ano novo recebemos nossa primeira visita: meus pais e meu sobrinho. Passaram um mes aqui conosco e foi muito legal poder apresentar a casa, a cidade e a segurança de estar por aqui. Infelizmente eles foram embora e sentimos um pouco a questão da falta da família, mas sabemos que isso faz parte.

Aos pouquinhos nos acostumamos com tudo. Fomos deslizar na neve, compramos patins e estamos nos integrando a rotina do inverno. Fazemos atividades lá fora, mas sempre em curtos períodos de tempo kkkk ….

Alguns problemas familiares com meus cunhados nos deixaram preocupados por aqui, mas infelizmente não podemos fazer nada a distancia. Alias, acredito que nem estando lá daria para fazer alguma diferença efetiva. Mas isso acaba abalando um pouco por não podermos dar suporte para eles já que somos considerados os “responsáveis” da família kkkk …

Enfrentamos nosso primeiro verglas e não gostei kkkk. Ficou tudo congelado, o carro deslizando na vaga, muito frio. Mas foram 2 dias rápidos e a cidade tem um sistema de déneigement eficaz, então está tudo melhor. A neve é tranquila de conviver, mas o gelo, ha, esse é meio chato.

Bem, por hora é isso. Espero que logo tenhamos (existe essa palavra ?)  mais novidades, no momento deixo algumas fotinhas dessa aventura até agora.

No zoo de Granby !!!

No zoo de Granby !!!

Mon fils, ma mère, mon père et mon neveu.

Mon fils, ma mère, mon père et mon neveu.

Galhos no Parc Jarry congelados !

Galhos no Parc Jarry congelados !

Eu e a pequena após descer de sled.

Eu e a pequena após descer de sled.

Mont-Royal e os esquilos !!!

Mont-Royal e os esquilos !!!

6 1/2 meses !!! Uma conquista a cada dia

Passei os últimos 2 meses meio afastado, sem escrever. Muita correria com o novo trabalho (nada de pressão, só trabalhando mesmo) e visitas (meus pais vieram nos visitar para o Natal !!!).

A vida aos poucos se normaliza. Nossa pequena poussin já está falando frances na garderie e em casa. Nosso poussin grandão também, graças a classe de accueil. Conforme as coisas passam, nossa rotina fica mais normal.

Estreamos o sistema de saúde em uma clínica sans rendez-vous (crianças e inverno, gripes na certa) e até agora correu tudo bem com um bom atendimento.

Consegui minha habilitação na primeira tentativa, uma coisa a menos a fazer (aos que chegarem, recomendo que façam isso logo mesmo sem ter carro, já elimina uma pendencia que poderá acabar dando trabalho). Fiz porque no meu trabalho, as vezes preciso atender algum chamado fora de hora e se for a noite, só indo de carro. Devido a essa e outras razões, também compramos um carro baratinho para poder nos locomover.

Tudo está indo bem e aos poucos nosso esforço começa a render bons frutos, uma qualidade de vida superior. Já tivemos festinha na garderie (poussin-mère chorou como sempre de emoção) e estamos conhecendo novas pessoas e criando amizades (na grande parte, outros imigrantes).

A parte financeira ainda precisa melhorar, mas o governo está fazendo a parte dele: os auxílios para as crianças e para a garderie saem nas datas certinhas e com certeza isso ajuda e dá uma tranquilidade para irmos mais longe com mais tranquilidade.

A neve e o inverno chegaram e até agora não foi tão assustador como pensavamos. Claro que o pior ainda está por vir, janeiro e fevereiro no alto inverno. Mas como todos dizem, estar bem preparado ameniza os incovenientes da neve, que aliás, deixa tudo lindo tão branquinho.

Por hora é isso. Fica no nosso registro de épocas que não temos grandes novidades, considerando que essa é a novidade. A chegada dos pais foi muito legal e tem sido uma festa com as crianças durante esse período.

Um abração a todos e caso eu não escreva mais até lá, Feliz Natal !!!

A Neve Chegou !!!

Sim, hoje acordamos com um tapetinho branco pelas ruas … Aproveitamos o dia e saímos para brincar na neve, claro, como bons imigrantes e marinheiros de primeira viagem no inverno canadense.

A tarde a neve derreteu em quase todos os locais, mas agora a noite voltou a nevar, mas não muito forte.

Segue algumas fotinhas !!!

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Novo emprego !!! A escalada …

Bem colegas de imigração, nunca mudei tanto de emprego em tão pouco tempo. É meio bizarro.

Meu primeiro emprego no Canada foi trabalhando em uma cidade mais distante, lavando equipamentos de uma indústria de frangos. Contratado pela fábrica, trabalho sindicalizado, quart de nuit (10h à 7h). Salário um pouco maior que o mínimo, transporte pela própria empresa (saindo da estação de metro). Consegui o trabalho por uma agencia. Fiquei um mes trabalhando lá, até conseguir meu segundo emprego.

Meu segundo emprego foi em uma fábrica de bebidas. Comecei trabalhando nas linhas de produção, colocando as garrafas da linha em caixas, ajudando a montar os pallets e abastecendo as linhas com garrafas. Trabalhei como terceirizado com uma promessa da agencia que apos 6 meses seria contratado (salário maior e benefícios). Descobri que na realidade, muita gente tinha mais de 6 meses e pouca expectativa de ser contratado. Aparentemente a chamada do salário maior apos 6 meses era para captar mais gente. Mas o trabalho era tranquilo, a noite (15h até 23h15). Salário um pouco maior que o minimo, ambiente mais tranquilo, mas que exigiu um pouco mais de resistencia e força física. Estava há 2 meses aqui.

Nessa sexta pedi demissão pois consegui encontrar meu terceiro trabalho. Finalmente em meu domínio, uma vaga mais simples em laboratório ! Um alivio poder retornar a um local que conheço e dominio. Salário maior, beneficios e um ambiente com vários equipamentos legais que tenho certeza que será divertido de trabalhar. Começo segunda e espero ficar nesse bastante tempo, ou quem sabe, até encontrar “o” emprego definitivo.

Curiosamente, fui muito saudado pelos colegas de trabalho por ter conseguido tal emprego. Não sei se ficaram felizes por eu ter saído e a disputa interna diminuido ou se realmente ficaram felizes com minha evolução profissional. Prefiro acreditar na segunda opção.

Algumas lições ficaram sobre as relações de trabalho, como as empresas funcionam (uma muito diferente da outra) e como tudo aqui pode ser extremamente organizado ao caos total. Esse trabalho novo não foi por agencia, mas diretamente com a empresa. Um passo claro de melhoria de perfil do meu CV, talvez, e principalmente reflexo da minha inscrição na Ordem dos Quimicos. Esse com certeza foi meu diferencial na disputa pela vaga (além da experiencia de 10 anos em laboratório, é claro).

Apesar de me sentir estranho por mudar tanto de trabalho (afinal, temos a cultura de trabalhar por anos no mesmo lugar – talvez coisa da minha geração), aqui os quebécos realmente me deram parabéns e acham isso tudo super normal (trocar de emprego a todo tempo). Alias, o turn-over das empresas é assustadoramente grande, nunca havia visto algo assim. Por semana, ao menos 2 pessoas novas começam o trabalho, enquanto outras tantas se demitem. Boa parte das pessoas que chegam são imigrantes.

No meu primeiro emprego 99% das pessoas eram imigrantes. No segundo, posso dizer que uns 70% são imigrantes. Nessa terceira, aparentemente quase todo mundo também é imigrante. Escutei alguns comentários negativos de quebécos sobre imigrantes roubando vagas de quem quer trabalhar e que a causa da baixa dos salários é que os imigrantes aceitam qualquer coisa. Mas ao mesmo tempo, os mesmos que escutei criticar esse sistema estavam impressionado pelo fato de eu ser tão qualificado e não conseguir emprego na minha área, chegando a mostrar estarem realmente abismados com a situação. Entendi que talvez eles critiquem muito os imigrantes não qualificados que chegam para qualquer coisa e distorcem o mercado de trabalho, mas não sou especialista nisso e não sei dizer o quanto disso é verdade ou não.

Bem, queria compartilhar a todos essa novidade e seguimos em frente, cada dia melhorando um pouco mais. Espero que eu possa ficar mais tempo agora nesse trabalho e sossegar um pouco, essas mudanças são de certa forma desagradáveis e acabei perdendo alguns bons colegas, mas sei que foi por um bom motivo 🙂

Estou mais aliviado e sei que o futuro nos reserva boas coisas !!!

Primeira visita a um médico

Sabendo que viajar com duas crianças pequenas, inevitavelmente teríamos altas chances de visitar uma clinica ao ficar doente.

O primeiro a ficar doente foi nosso querido Poussin-Fils. Teve uma inflamação na garganta (coisa recorrente do Brasil) e já sabíamos que ele ia ficar ruinzinho. Então, chegou a hora de estrear a Assurance Maladie.

Poussin-Mère o acompanhou a uma clinica sem rendez-vous. Fez a inscrição, pegou uma senha e retornou para casa (a pé mesmo, a clinica é aqui pertinho). Peguei a senha e cadastrei para receber o aviso no celular. Falaram que o serviço era grátis, mas me cobraram 1.99 na conta do celular 😦 . Quando chegou a hora ele foi para a clinica, foi atendido tranquilamente. Exames aqui, exame ali, o médico disse que precisava fazer um teste e perguntou se queria fazer ali (20 dolares) ou se queria marcar o exame no CSSS “?” (nunca sei a sigla desse lugar). Como marinheiros de primeira viagem e com o filhote doente, o exame foi ali mesmo (mas tem um recibo para abater no imposto de renda). Resultado: uma faringite confirmada. Ele recebeu dois frascos de amoxicilina para tomar (gratuitamente, o remédio foi de “graça”) e as várias instruções sobre medicamentos.

E foi isso. O sistema não demorou muito, foi tranquilo, muito melhor do que eu esperava quando lia os relatos de saúde caótica por aqui. Claro que não foi um atendimento em hospital, nada grave, mas para quem fica doente aqui e precisa se consultar, recomendo as clinicas sem rendez-vous. São muito práticas mesmo.

Agora sou membro da minha Ordem !!!

Meu processo de avaliação da Ordre des Chimistes du Québec terminou.

Meu diploma e minha experiencia profissional foram avaliados e fui aceito como membro de pleno direito. Já paguei as taxas e recebi os documentos.

Felizmente, uma conquista. Agora já posso procurar algumas vagas com o título de Químico.

Mas o processo ainda não acabou. Como meu diploma é estrangeiro, segundo as leis do Québec, tenho que fazer um teste de frances para demonstrar minha capacidade de atuar profissionalmente.

Então, no momento sou membro temporário com validade até o próximo ano (renovável por 3 vezes) até fazer o teste, quando passarei a ser membro permanente. Não há diferença nas permissões de trabalho.

Tudo foi relativamente rápido, o processo levou cerca de 40 dias.

Bem, é isso. Aos poucos vamos caminhando, um passo de cada vez.

1° Emprego, 2° Emprego e considerações …

Para começar, já aviso que o post tem uma dose de realidade e pode ser que voce não goste do que vá ler. Talvez muitos nem concordem. Mas afinal, essa é minha opinião do que vi até agora aqui.

Consegui arrumar “o” primeiro emprego no mes passado. Não, não era na minha área. Era um trabalho de madrugada fazendo limpeza de equipamentos em uma fábrica. Esse foi meu primeiro emprego no Canada.

Na sequencia, fui chamado para uma outra vaga mais interessante, em linha de produção no horário da noite. Vaga muito mais interessante e promissora para o futuro, troquei então após 2 semanas de trabalho, o emprego. E essa é minha segunda experiencia de trabalho no Canada.

Vamos as considerações que tenho tido apos contato com muitas pessoas aqui no Canada. Aquele papo de venha para o Québec, voce tem um lugar aqui … Bem, isso é verdade, mas parcialmente verdade.

Somos bem recebidos, temos suporte de organismos e as vezes também do governo. Mas a realidade é que não há emprego para nós. Emprego que eu digo é qualificado, dentro de nossas áreas de trabalho.

Quando cheguei aqui fiz milhares de contatos, enviei centenas de currículos, fiz contato boca a boca … Não adianta, eles não chamam imigrantes recem chegados para trabalhos qualificados. E isso não é só com a gente. Trabalhei de madrugada com um marroquino, frances fluentes, arabe fluente, espanhol fluente e ingles ‘utilisavel’. Ele é engenheiro industrial com 10 anos de experiencia. E também não conseguiu nenhuma entrevista na própria área. Ainda está fazendo a Equivalencia de Diplomas (que demora até 1 ano para sair). Contando que ele mora aqui há pouco mais de 1 ano, essa é a situação geral.

Lição número 1 – Peça a Equivalencia de Diplomas do MICC ainda no Brasil.

Lição número 2 – Não importa se seu frances é ultra mega fluente, não faz diferença.

Claro que vai facilitar sua vida aqui falar frances, mas isso não te garante um emprego na área.

Com alguns gerentes industriais que conversei (2 deles imigrantes) a dica foi exatamente a mesma: volte para a escola, obtenha um diploma quebecoise e depois volte a postular as mesmas vagas.

Lição número 3 – Tenha noção que aquele papo de “dar um passo atrás” na carreira é balela. Voce terá que recomeçar tudo do zero, ou ao menos, obter um diploma local.

Claro que existem exceções. O pessoal de enfermagem não parece ter dificuldades em arrumar emprego. O pessoal de pedagogia que optem por trabalhar como auxiliar em garderies até sair as validações também conseguem trabalho rapidamente (vi 2 pessoas que arrumaram em menos de 1 mes).

O pessoal de TI ? Bem, pela minha experiencia vivida até agora descobri que para eles também não é tão fácil. Das pessoas que conheci, 2 casais arrumaram emprego na parte inglesa e foram embora (mas não sei em que área), 1 pessoa trocou de emprego aqui e foi demitida apos 1 semana e até agora não conseguiu trabalhar mais (decidiu mudar de carreira apos isso, mesmo tendo mais de 20 anos de experiencia) e 1 pessoa me relatou que demorou cerca de 1 ano para conseguir um emprego na área.

Lição 4 – Se voce quer trabalhar na sua área, venha com dinheiro para viver por pelo menos 18 meses sem trabalhar e prepare-se para voltar para a escola e obter um diploma local rapidamente.

Mais é difícil conseguir emprego ? Não. Tem muitas vagas na sua área ? Sim. Essa relação é complicada. Tem muita vaga de trabalho para minha área, muita mesmo. Mas os recrutadores simplesmente não chamam. Mas para trabalhar em produção, existe muita oportunidade e o emprego é de certa forma fácil de obter.

Lição 5 – Se voce vier já pensando em pegar um Survival Job, saiba que esse tipo de trabalho é fácil de conseguir, mas significa trabalhar pesado.

Recomendo o Survival Job para casais que possam se virar juntos. Enquanto um se aplica estudando e melhorando sua empregabilidade aqui, o outro trabalha. No futuro, poderão inverter a situação.

Alias, para melhorar a empregabilidade é possivel assistir aquele monte de palestras que os orgãos dão aos recem chegados. Muitas delas serão uteis, outras serão totalmente inuteis. Inuteis do tipo de palestra que ensina a diferença entre um cartão de débito e um cartão de crédito. Isso porque as palestras são gerais e o público não são só profissionais qualificados, mas também refugiados que sequer tiveram conta em banco durante toda a vida.

Lição 6 – As palestras para os recém chegados são importantes de participar, mas elas não vão resolver o problema de empregabilidade e devem ser bem selecionadas para não perdemos tempo.

Participe das comunidades em redes sociais. No facebook, nas listas de emails, muita coisa boa surge em termos de doações, instruções ou dicas. Conhecer pessoas aqui e poder se estruturar sem gastar faz muita diferença para os recem chegados.

Lição 7 – Deixe no Brasil seus preconceitos. Aqui receber uma doação de equipamento usado, roupa usada ou qualquer outra coisa não é uma coisa para ter vergonha e pode ajudar muito durante os primeiros meses sem renda.

Lição 8 – Participe das redes sociais e conheça outros brasileiros. Eles poderão ser importantes na sua integração.

Aqui em Montreal tem muito imigrante. Muito mesmo. Tem tantos que vários orgãos dão ajuda de custo e auxiliam na transição de imigrantes que queiram morar e trabalhar em cidades menores. Antes de vir a Montreal, considere que embora aqui haja muitas vagas, existe uma inifinidade de imigrantes que também querem a mesma vaga. Esses dias vi uma estatistica de trabalho para administrador, que dizia que existiam 130 vagas abertas em Montreal para 3000 candidatos, enquanto em Saint-Bruno haviam 3 vagas abertas e somente 1 candidato. Montreal é linda e aconchegante, mas a disputa por trabalho é como SP e RJ.

Lição 9 – Considere, pense e repense se voce quer mesmo vir a Montreal ou outra cidade grande. Se seu dominio de trabalho estiver em demanda em locais menores, pode ser uma ótima opção optar por lá.

Claro que Montreal oferece um ótimo sistema de transporte, serviços e afins. Tudo isso deve ser colocado na ponta do lápis.

Outra coisa que vejo muitos se decepcionando é com o ar antigo de Montreal. As pessoas esperam encontrar algo mais tecnologico, de “primeiro mundo”. Montreal tem um certo ar europeu e não se parece em nada com as cidades americanas ou do Canada ingles. Considere o fator e se voce for uma pessoa muito cosmopolita, talvez a parte ingles ou o EUA sejam mais propriados para voce imigrar. Sério mesmo, já escutei de várias pessoas a frase “não era isso que eu esperava”, achei que fosse mais como os EUA.

Lição 10 – Verifique sua expectativa de vier morar em Montreal. A cidade é linda e ótima para quem gosta dela, do jeito que ela é. Se voce é uma pessoa que acha que vai sentir muita falta de SP, dos prédios altos, do consumismo da crowd, talvez seja melhor avaliar em ir para a parte inglesa, Vancouver ou Toronto.

No Brasil eu indicaria esse item 10 aqueles que são considerados playboys, ou algo do tipo. Hoje, aqui no Canada, eu não acho que devemos categorizar uma pessoa de playboy ou não só porque ela foi criada e educada em um ambiente diferente, favorecido ou não. Essa coisa de categorizar e dar nomes as pessoas não deixa de ser um preconceito.

Lição 11 – Deixe os preconceitos e conceitos morais no Brasil. Aqui as pessoas são livres, se vestem como querem, falam como querem e fazem o que querem (dentro da legalidade, é claro).

No metro ou no trabalho vejo várias vezes as pessoas com roupas rasgadas ou sujas. Ninguem vai usar uma roupa de marca ou novinha para ir trabalhar em algo pesado, não é ? Aqui ninguém aponta dedos. Ou ao menos a grande maioria não o faz.

Eu poderia continuar escrevendo mais, mas terei que sair daqui a pouco para trabalhar. Então deixo aqui minhas observações, talvez nem todos concordem, mas vale a pena para aqueles que vão chegar: abram a mente e venham preparados.

Valeu a pena ter vindo ? Até agora, achamos que sim. Estamos crescendo aos poucos e conhecendo o dia a dia da cidade e do pais, seus costumes e hábitos. Para as crianças, acho que valeu muito mesmo.

Outra dica muito valiosa: chegamos aqui pensando como imigrantes, querendo nos adaptar a uma rotina. Faça sua imigração valer a pena !!! Não viva só de trabalhar e estressar. Saia, conheça a cidade, experimente novos sabores, se aventure … É isso que faz valer a pena viver em Montréal. Cada dia a cidade nos oferece uma nova descoberta e se voce ficar em casa, vai acabar se deprimindo e desanimando.

Aproveite a vida nova !!!

Nada vem de mão beijada

Hoje li um post no:

http://www.likeanewhome.com/2014/09/7-anos-no-canada.html

Simplesmente podemos nos identificar com cada fase. Nos estamos na fase 2 – Nada vem de mão beijada.

Sim, sabíamos o que iríamos passar, não, nada como a vida real para mostrar que a gente não sabia … E a tática é enfrentar o que vem pela frente …

Posts como esses nós fazem sentir que estamos indo no caminho, afinal, outras já passaram as mesmas situações e sentimentos e conseguiram.

Se voce está vindo agora, tenha expectativa que na vida real, as coisas são diferentes do que planejamos. Será divertido, preocupante, feliz, depressivo, tudo ao mesmo tempo. O mais importante é manter o emocional no lugar, o resto se resolve com o tempo (mesmo parecendo que não se resolve) !